domingo, 9 de outubro de 2011

e se a lua caísse?



Hoje acompanhei de perto aquilo que alguns elementos dos media anunciavam como uma noite de chuva de estrelas "perfeita", em que se esperava a visualização da queda de cerca de quinhentas estrelas por hora, entre as seis da tarde e a meia noite, em todos os pontos do globo. No entanto, a noite era de lua cheia, e como tal, a luz deste astro era demasiado intensa para permitir que estes corpos cadentes fossem apreciados na sua totalidade.
Subi as escadas do meu terraço e debrucei-me sobre o muro que o separa da restante porção aérea de quintal; olhei para cima e admirei a beleza do céu escuro da noite, ao qual se sobrepunham edifícios feios e artificiais, pontos luminosos de cor esbranquiçada e um astro muito mais brilhante que todos os outros.
Sendo todos os pontinhos luminosos estrelas com luz própria, não seria expetável que estas se salientassem mais do que um planeta que se limita a refletir radiações? Não seria de esperar que fossem as estrelas que não permitissem que a lua se visualizasse, e não ao invés? Ora, a resposta está na distância.
Sim, na distância. A lua, embora única e pequena, está muito mais perto de mim do que qualquer uma das milhões de estrelas que o grande Universo possui. E embora a luz que eu vejo seja proveniente de uma estrela a sério - o dito sol -, não será recíproco o trabalho do sol e da lua?
O sol brilha de dia, e a lua brilha de noite. Certo está que a luz da lua vem do sol, mas haveria luz à noite se não houvesse lua? A Terra gira em volta do sol, e há sempre uma parte dela que não recebe esta radiação diretamente - precisa de um intermediário, e para isso serve a lua.
Depois de refletir sobre este breve problema, deitei-me em cima da marquise e olhei para o céu estrelado. De tempos a tempos, via uma linha luminosa, quase que instantânea, a passar em determinado segmento de céu. Eram as anunciadas estrelas cadentes.
E como me limitei a olhar para o céu, tive tempo para pensar. Se aquelas estrelas que pouca falta nos fazem (e tão pouco luminosas aparentam ser) dão tamanho espetáculo e suscitam tanta admiração e fascínio do público em geral, o que aconteceria se a lua caísse? Seria o fenómeno dos fenómenos, mas ao mesmo tempo, o caos para este mundo em caos.
Certamente que não eram os milhões de estrelas existentes no Universo que me iluminariam a noite escura; certamente que não seriam os pontinhos brilhantes minúsculos do céu negro que serviriam de confidentes dos meus problemas, soluções das minhas agonias. De certeza que não conseguiria viver sem o seu conforto, sem a sua luz que aquece o coração; de certeza que o sol não teria jamais intermediário para desempenhar totalmente as suas funções.
O mal do mundo está, porém, em haver tantas estrelas às quais se dá importância desmedida e valor que não merecem. Já eu tive a sorte de encontrar o astro que realmente me ilumina a noite escura, e me aquece o coração gélido do mal do mundo - a minha lua.
Mas, assim como as estrelas caem, e se a lua caísse?


Nota ao seguidor: Algumas das incoerências científicas são conscientes, estando apenas descrita uma visão de senso comum do fenómeno, para efeitos metafóricos e meramente literários.

1 comentário:

Anónimo disse...

Apanha a tua lua e mete-a sempre no devido lugar :)