domingo, 16 de outubro de 2011

deep sea;



Decidi mergulhar no mar dos medos, no mar das incertezas e das indecisões. Decidi libertar-me do que há tantos anos me prende, que me torna cativo de mim mesmo e das minhas fraquezas. Decidi poder ser eu mesmo, ser e saber tudo aquilo que sempre quis parecer ser e saber. Por fim, decidi.
É um mar fundo, o mais fundo de toda a minha curta vida. E agora sim, apercebo-me das minhas fragilidades, percebo que a vida não é tão linear como pensava: tão depressa temos ar saudável para inspirar, como de seguida a água pesada nos sufoca os pulmões e irrita a garganta. Por fim, compreendo que somos apenas seres minúsculos sujeitos a um mar maior que qualquer outra coisa que se possa imaginar; por fim, percebo que o oxigénio, que tanta falta nos faz, não é possível de capturar sem um grande esforço para vir à tona da água, e que todas as correntes e marés nos empurram sempre para baixo, obrigando-nos a desgastar pernas e braços até à exaustão. Por fim, entendi.
Por enquanto, limito-me a dar as primeiras braçadas neste mar tão fundo e tão extenso, apesar de já ter conhecido muitas vezes o sufoco das marés incertas. Estou apenas a aprender uma coisa que já devia saber há quase tantos anos quantos os que tenho, e que, por preguiça ou falta de habilidade, nunca tive interesse de aprender. E nesta altura, depressa me canso e perco o fôlego. Mas como a exigência ainda é baixa, e tenho alguém que me apoia e ajuda, ultrapasso todos os obstáculos. E, por fim, emerjo e sou feliz.

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