terça-feira, 22 de março de 2011

diário de um acampamento - dia 4: dying will.

Terça-feira, oito de março de dois mil e onze

É difícil encontrar a palavra ideal para descrever este dia. Mentira, não é nada. Até é bastante fácil, mas preferia não ter palavra para o descrever. Só me vem à cabeça a palavra "tristeza", mas acho que foi pior que isso.
De uma notícia que julguei mentira ao início, passei a uma realidade bem verdadeira em frente a meus olhos. Passei de um sorriso vazio para uma tristeza profunda, uma mágoa tão intensa que me flagelava o coração.
Quando, no autocarro de vinda para casa, se ouviam gritos de alegria, de divertimento e de apelo ao confronto saudável entre três das quatro secções, a mim apenas apetecia gritar, não de divertimento, mas de uma grande dor que me apertava o coração. E chorar (não faltou muito para que isso acontecesse). O autocarro parecia nunca mais chegar ao destino, e a exaustão e sofrimento apoderavam-se de mim como nunca outrora acontecera. Só quem ia a meu lado percebia o ponto em que eu estava, e as razões que me levavam a estar assim. E, apesar de todos os esforços, nada melhorava.
A partir do momento em que entrei no autocarro e me sentei o meu banco do lado do corredor, nunca mais te dirigi a palavra. Não sei porquê, mas não o consegui fazer. Talvez não quisesse que percebesses como me encontrava, ou talvez não quisesse que percebesses as razões. Ou talvez não me apetecesse falar de todo. O que é certo é que, nesse dia, pouco falámos. Três ou quatro mensagens, se tanto. Nunca tamanha tristeza tinha experimentado.
Ao chegar a casa, como que um acampamento que é desmontado no seu término, sentia o meu coração desmanchado e desfeito, prestes a parar.
Nem desfiz a mochila, meti-me diretamente na banheira onde a água quente me limpava a alma. Tal como se diz que um acampamento só acaba quando se desfaz a mochila, também o meu acampamento (e sofrimento) estava longe de terminar. Jantei, e fechei-me no quarto, refugiado no teclado do meu computador portátil preto e desabafei para esta mísera página de internet. Enquanto escrevia, lavado em lágrimas, apenas recordava, com saudade, cada momento que passámos. Como será no futuro?
Com tudo isto, soube que já me tinham desfeito a mochila, para que a roupa suja fosse lavada. Esperemos também, que daqui para a frente, a roupa suja se transforme sempre em roupa lavada, pois não quero viver num acampamento para sempre.
E dito isto, fechei os olhos e adormeci. Foi o último dia.

1 comentário:

Dupé disse...

Bem.... Eu chorei ao ler este post.....

Vais ver que o tudo triste é o nada... E que o sorrisso é muito melhor - dado os desenvolvimentos subsequentes.


Pensa no que é bom!