Domingo, seis de março de dois mil e onze
Uma caminhada de catorze horas nunca é fácil. Há muito que palmilhar, muito que sofrer e muito que aprender com um sorriso na cara.
Adorei a ajuda aos mais novinhos; senti-me tão bem ao servir, ao ser útil em alguma coisa. É estranho, não acontece muitas vezes; mas é fantástico.
No entanto, melhor ainda foi a parte da tarde, em equipa, onde a entreajuda, a união, a amizade e a lealdade tomam outros contornos e se tornam vivos como um fogo ardente. A troca de experiências e todos os momentos passados com uma equipa fantástica são coisas impossíveis de esquecer. São memoráveis e dignas de repetição. Todos os dias.
Adorei as nossas parvoíces como as boas quedas na ribeira, e a nojeira do charco que nos mudou a cor das botas e das meias; adorei todos aqueles momentinhos que me deixaram com um sorriso nos lábios e uma grande alegria no coração. Simplesmente perfeito.
Mas, inevitavelmente, caiu a noite, caíram as forças, caiu a determinação, caiu a esperança. Eram vinte e três horas e trinta minutos quando as três equipas se juntaram para uma refeição teoricamente motivadora, energética e rejuvenescedora. Pelo contrário. Já estávamos a andar há coisa de oito horas e meia, a noite estava cerrada e recebíamos palavras de incentivo que só desmoralizavam: "Bora pessoal, estão de parabéns por aqui terem chegado! Estamos a metade do raid, é um tirinho até chegarmos de novo a campo". E é certo, nesse ponto, houve quem ficasse pelo caminho depois de uma caminhada tão longa, mas essas pessoas tiveram os seus parabéns e deixaram-me orgulhoso por terem chegado ali, nas condições em que estavam inicialmente. Foi uma vitória.
Seguindo em frente, esperavam-nos mais cinco horas de andamento; cinco horas de muito cansaço; cinco horas de pessoas a queixarem-se porque era uma loucura fazer-se tal coisa; cinco horas de dores; cinco horas escuras; cinco horas sem sabermos onde nos encontrávamos, apenas com as indicações turvas do "sigam o estradão, e depois voltem para a praia"; cinco horas fantásticas.
Apesar de tudo, quando chegámos ao nosso destino, e nos unimos numa roda larga, abraçados com uma força inseparável, só ouvimos do nosso chefe de agrupamento as palavras: "agora sabem o que é preciso para se vencer as dificuldades; para chegarem todos às vossas metas?". E houve quem respondesse: "UNIÃO!". E, em conjunto, sem ensaio prévio, todos os elementos daquela grande roda gritaram, com as poucas forças que lhes restavam, como se aquele fosse o último dia das suas vidas: UNIÃO, AMIZADE, LEALDADE!
Emocionei-me na altura. E agora que escrevo, emocionei-me de novo. É demasiado forte, demasiado profundo, demasiado puro.
Entrei na tenda e eram quatro e meia da manhã. Comi bolachas e adormeci. Que grande dia!
Sem comentários:
Enviar um comentário