quarta-feira, 9 de março de 2011

diário de um acampamento - dia 1: blue tent,

Cinco de março de dois mil e onze: são vinte e duas horas e trinta e três minutos e chove sobre a minha tenda azul que, apesar de todos os defeitos que tem, é o sítio mais confortável do mundo. E é mesmo. Já sonhava com isto há meses, e agora é muito melhor que nesses sonhos. Calma, calma... eu disse "melhor"? Desculpa, tinha a cabeça noutro sítio. O que eu queria dizer é que é péssimo! Sinto-me estranho aqui, apesar de tudo; sinto-me mal, mas bem ao mesmo tempo; sinto-me cansado, mas cheio de forças ao mesmo tempo; sinto-me com vontade de chorar (nada que não tenha feito hoje) e de sorrir ao mesmo tempo. Ou seja, ando apático e parado e nem sei que sentimento expressar: se chore, se faça tudo o que devo fazer.
Depois de todos os acontecimentos recentes, não consigo definir o que penso e o que sinto. As minhas dúvidas acentuam-se dia após dia e o meu coração fraco teme e treme. Muito. Sou prisioneiro da minha própria liberdade e cativo da minha própria independência. Sinto-me pessimamente.

Acabo de escrever isto, e o melhor de tudo é que o parágrafo que acabaste de ler é totalmente contrário ao que me vai na alma.
Olho para o relógio, são vinte e três e cinquenta e um. A chuva parou.

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