Há dois anos que sonhava com aquele momento.
É incrível como o tempo voa. Parece que ainda ontem estávamos naquela apresentação, no meio de um cenário verdejante e puro, onde, para o espanto (e agrado, arrisco) de muitos, se ouviu, pela primeira vez, uma referência a uma actividade além-fronteiras. Novidade para alguns, flashback de aventuras passadas para outros, o que é certo é que, naquele momento, o grupo se envolvia (mesmo que sem o saber) num projeto que, em breve, lhes ocuparia muitas manhãs e tardes, mas que se começava a tornar um sonho cada vez mais perto de ser realizado.
Após muitas horas de trabalho para reunirmos os recursos necessários à viagem, e concluída toda a preparação, estava na hora da partida. Despedimo-nos de quem em terra ficava, e acomodámo-nos nos assentos do autocarro. Esperava-nos uma viagem de cerca de dois mil e quinhentos quilómetros por estrada, e não faltava a motivação.
Atravessámos todo Portugal, Espanha e França, e por fim chegámos à desejada fronteira que nos punha fora da União Europeia; tínhamos chegado à Suíça. Ao percorrermos o território suíço, a ansiedade crescia: estávamos mais perto que nunca de um sonho de dois anos, e a vila de Kandersteg era cada vez menos uma miragem.

Chegámos, delirámos, descarregámos; montámos as tendas, parámos um pouco e, por fim, dei por mim a pensar se estaria mesmo acordado. Era lindo: o verde das árvores, o branco do gelo dos glaciares, o azul do horizonte e todo o ambiente de alegria que todos vivíamos.
Nestes quinze dias, vivemos momentos inesquecíveis, e com certeza adquirimos lições para a vida. Sem dúvida que agora saberemos dar razão ao sábio E. M. Forster: "Tudo existe, nada tem valor", e, depois de tantas sandes de chourição e tanta escassez de tudo, saberemos dar valor àquilo que temos e que costumamos desprezar por ser tão banal. Uma cama, uma refeição bem confecionada, um abraço da mãe, um sermão do pai... coisas tão valiosas!
À parte das lições sempre importantes, aproveitámos para fazer o bom do turismo, e visitámos a fantástica vila de Kandersteg, Berna e Thun (Suíça), Stresa e as Ilhas Borromeu (Itália) e ainda Santander (Espanha). Localidades (umas mais, outras menos) idênticas às que nos habituámos a ver em Portugal, mas sempre espetaculares por serem únicas à sua maneira.

Mas, terminado o acampamento, voltámos ao autocarro que nos traria para Portugal, quinze dias depois. Já se desesperava por notícias de cá, pela tão amada casinha, pela família, por tudo aquilo que deixámos para trás para partir em busca do desconhecido, atrás de um sonho de dois anos.
Chegámos a Portugal e, algumas (longas) horas depois, chegámos ao Barreiro. Ao chegar à Sede, abraçámos os pais e, por entre lágrimas de alegria e saudade, acordávamos do sonho.
Há quinze dias que sonhava com aquele momento.
1 comentário:
meto um Gosto nisto!
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