quarta-feira, 6 de julho de 2011

ensaio sobre a prisão,

"Imagina que nascias no seio de uma família sem possibilidades para te dar o mínimo de condições de vida, e por isso, eras entregue a uma instituição de solidariedade social onde tinhas uma vida descansada e onde até simpatizavas com as gentes de lá. Certo dia, um casal que procurava um filho visitava a instituição e decidia adoptar-te, tirando-te tudo aquilo que outrora era a tua vida, e levando-te para uma casa que, mesmo com mais condições, representava um isolamento do mundo, do teu mundo. Este casal, que até era atencioso e carinhoso para contigo, cuidava de ti durante a tua infância e, quando atingisses idade suficiente para te tornares independente (apenas dependente de um menu diário de água e um prato que não variava nunca) te trancava num espaço de nove ou dez metros quadrados, com condições de higiene pouco desenvolvidas e sem grande acesso ao mundo exterior, e aí te obrigavam a passar toda a tua vida. Como te sentirias?"

Decerto que a resposta não diferiria muito de pessoa para pessoa, pois o sentimento seria o mesmo: "mas eu nasci para estar preso?".
Dei por mim a meditar sobre este assunto, ao aperceber-me do que os animais sofrem nas mãos do homem - a começar mesmo por minha casa, para não ir muito longe. Porque é que submetemos os outros animais a condições de prisão (e tortura, em certo modo), sem que eles sejam culpados de nada do que acontece no mundo? Porque é que obrigamos um cão, por exemplo, a passar a sua vida inteira entre quatro paredes ou quatro gradeamentos metálicos? Não tem direito à liberdade como nós? Pensa nisto.

2 comentários:

Anónimo disse...

compreendo tão bem...

Jorge Valente disse...

Muito bom! Ninguem merece estar preso quando não faz nada para tal, nem os próprios animais.. Mas imagina tu ires ao zoo e o leão estar solto... Não dava muito jeito.. Mas ta fixe o texto...