domingo, 19 de junho de 2011

pensamento do dia. #25

"Certo dia, numa quinta do interior, um rato do campo, deveras assustado, corre ao galinheiro e, com um tom aflitivo, diz: «Irmãs galinhas e irmãos galos, há pânico na quinta! A dona andou a montar ratoeiras!». E, de imediato, os galináceos respondem: «E o que é que nós temos a ver com isso? A senhora montou as ratoeiras para ti, rato. Cuida-te!». E o pobre rato do campo saiu do galinheiro triste e desapontado por ninguém o ter ajudado.
Dirigiu-se então à pocilga, onde estavam dois porcos gordos. E o rato proclamou: «Irmãos porcos, há pânico na quinta! A senhora montou ratoeiras!». E os porcos, grunhindo num tom de desprezo, responderam: «E o que é que nós temos a ver com isso? Esse é um problema teu, resolve-o!». E o rato saiu da pocilga desanimado.
Foi então ter com duas vacas que por ali pastavam, e de novo proclamou, aflito: «Irmãs vacas, a dona andou a montar ratoeiras. Ajudem-me!». Ao que uma das vacas respondeu: «E o que é que nós temos a ver com isso? O máximo que nos pode acontecer é que uma ratoeira nos prenda o casco, mas isso é insignificante. As ratoeiras foram montadas para vos apanhar, ratos; é melhor que se cuidem!». E o rato do campo, triste, abandonou as vacas que continuaram a pastar.

Dias mais tarde, na casa da quinta, ouviu-se um grande estrondo: a ratoeira apanhou qualquer coisa. A senhora dirigiu-se à ratoeira agora desarmada para ver se tinha apanhado algum rato. O que é certo é que não apanhou nenhum rato, mas sim uma serpente bastante venenosa. No entanto, a serpente não foi capturada pela cabeça; a ratoeira prendeu-lhe apenas a parte final do seu corpo, o que não fez com que a serpente morresse. Desta feita, quando a senhora se aproximou, a cobra mordeu-lhe a perna, deixando-a inconsciente.
Foi então levada para o hospital, e os médicos analisaram o caso com apreensão. O prognóstico era reservado, mas a mulher recuperara a consciência. No entanto, como medida de prevenção, o doutor responsável recomendou que apenas se alimentasse de canja de galinha por uns tempos, de forma a que tudo repusesse o seu normal funcionamento.
E então, as galinhas e os galos foram morrendo, um por um, para alimentar a dona.
Como a notícia do internamento da senhora preocupou os familiares da cidade, estes vieram visitá-la ao hospital, ficando, temporariamente, a dormir na casa da quinta. Para alimentar tanta gente, os dois porcos morreram - primeiro um, depois o outro -, e a fome dos visitantes foi saciada.
Mas, ao contrário das expectativas de muitos, a senhora recuperou totalmente no espaço de uma semana. E, como tal, para comemorar a sua recuperação, organizou um banquete em sua casa para toda a aldeia e para os familiares da cidade. Ora, para um banquete desta envergadura, a mulher mandou matar as duas vacas - primeiro uma, depois a outra -, as quais fizeram as delícias dos convidados.
E no fim, o rato do campo estava vivo (ao contrário dos galos, galinhas, porcos e vacas), apesar de as ratoeiras serem apenas um problema dele."

Homilia de 19 de Junho, em Santa Maria, sobre a solidariedade

2 comentários:

Maria João disse...

ai, adorei :o

Anónimo disse...

Estou a imaginar o pe. de Santa Maria a contar isto x) gostei :)