sábado, 11 de junho de 2011

floresta amazónica #3: confiança;


As minhas folhas estão mais verdes, e cada dia se nota mais essa diferença em relação a algumas semanas atrás. Mais verdes, mais harmoniosas, mais vivas. A cada nascer do sol desta minha primavera eterna, o teu simples aceno suave de bom dia faz com que um novo pedacinho de clorofila verdejante aflore às minhas folhas superiores. E cada novo pedacinho de clorofila exige um pouco mais da tua presença, da tua existência.
E, como tal, temos crescido bastante, cara amiga. Mas nesta floresta sem grande disponibilidade de espaço livre, acabo por crescer na tua direção. E tu na minha. Sim: se reparares, tem-te acontecido exatamente o mesmo. Tão verdade que a tua bela ramagem já cobre parte da minha, e envolvê-la-á por completo se todas as manhãs acenares suavemente.
Com este crescimento, posso afirmar que te conheço bastante melhor hoje do que conhecia há uma semana atrás; e, o que é facto é que também poderás dizer o mesmo.
Como tu própria sabiamente afirmaste, tudo isto só é possível porque eu confio na tua capacidade de me providenciar o dióxido de carbono ideal à minha fotossíntese, e tu confias na mesma competência que aparento possuir.
E tal é a confiança e o conhecimento profundo que temos um do outro, que me arrisco a dizer que é ao teu lado que quero enfrentar todas as dificuldades para sempre. Hoje sei e tenho a certeza que nada nem ninguém separará as raízes que unimos, e que uma vez caído um de nós, o outro levantá-lo-á, animá-lo-á e ambos viveremos eternamente. Eternamente felizes e sãos, num mundo que se degrada a cada chuvada eternamente destrutiva.

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