Eram onze e meia da noite e já te tinha enviado a mensagem de boa noite; precisava de ti. Deitei-me na cama ainda feita, liguei o rádio naquela frequência que ambos costumamos partilhar e ouvir os dois e coloquei os meus headphones, como se o mundo fosse apenas eu - ali deitado -, aquela música - naquele posto de rádio -, e tu - em pensamento (infelizmente, apenas em pensamento); precisava de ti. Nem cheguei a trocar a roupa do dia por um pijama apertado que jazia no gavetão da cama - a roupa tinha ainda o teu cheiro, e o teu abraço era mais facilmente sentido com aquela T-shirt vestida; precisava de ti.
Da gaveta superior da mesa de cabeceira, retirei um pequeno coração vermelho esponjoso que costumo apertar quando a saudade também aperta o meu pequeno coração; precisava de ti. E então, apertei-o com todas as minhas forças (já que a saudade também se estava a esmerar); continuava a precisar de ti. Lembrei-me, pois, daqueles textos que tu escreveste e nos marcaram a caminhada. Voltei a puxar a gaveta, tirei dois deles, e abri o mais antigo. E reli-o. Apesar do teu pessimismo e do teu destrutivismo em relação a certos elementos daquela folha de caderno, pautada e com uma barra lateral cor de rosa, cada dia mais formulo uma boa impressão deste texto. Além da ilustração que me deixa sem palavras, o conteúdo fraterno da mensagem deixa-me sempre de lágrima no canto do olho. "Também não consigo viver sem ti. Adoro-te." - não calculas o quanto isto me emocionou na primeira vez que li esta mensagem, e ainda emociona, apesar de tudo. Revivi tudo aquilo que senti quando me mostraste, pela primeira vez, aquele pedacinho de papel. Foi perfeito; no entanto, continuava a precisar de ti.
Abri o outro texto. Este, mais complexo, dentro de um envelope com a aba um pouco danificada pela ansiedade de ver o conteúdo. Reli-o também. Voltei a viver todos sentimentos da primeira vez que o li - a ansiedade por cada pormenor, a felicidade e a emoção. E o "Amo-te" final pôs-me com um sorriso de orelha a orelha. E apreciei as inscrições no envelope. Foi perfeito; no entanto, continuava a precisar de ti.
Voltei a puxar a gaveta e a colocar as folhas no seu respectivo lugar e, em seguida, levantei-me e dirigi-me ao sofá onde se encontrava o terceiro texto. Peguei nele e sentei-me na cama a atentar nos pormenores ínfimos que me pudessem ter escapado nas outras vezes que olhei para ele. Está perfeito. Cada palavra - manuscrita - soava como uma canção na minha cabeça, e o pequeno coração vermelho esponjoso ainda estava na minha mão, mas não tinha força para o apertar. Reli o texto, recoloquei-o no sítio de origem e deitei-me de novo.
Tirei os óculos, pousei-os na mesa de cabeceira e apaguei a luz do candeeiro. Fiquei em silêncio, apenas ao som da melodia doce da estação de rádio, e refleti sobre o que estava a sentir e o que tinha acontecido. Guardei o pequeno coração na gaveta de onde o retirara.
Já era tarde (meia noite e meia, se bem me lembro), e o escuro do quarto contrastava com a luz que me inundava o coração. Estava feliz.
Quando adormeci, apenas a melodia ecoava na minha cabeça. Apenas um "Now and forever, I will be your man" me fazia sentido, pois nada disto faz sentido se assim não for.
Foi perfeito, tinha o cantil a metade e estava feliz; no entanto, continuava a precisar de ti. ♥
2 comentários:
Só tenho uma coisa a dizer: AMO-TE! <3
Obrigada e também gostei muito deste texto :)
Desisti foi de andar sempre triste e preocupada com alguém que não vale a pena! Está descansado, por mais vezes que pense que não vou ser feliz, há sempre alguém que me relembra que devo esquecer os que me entristecem e lembrar apenas os que me fazem feliz :')
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