No entanto, ao que parece, esta característica não afeta apenas esta classe de cordados. Tal como os entendidos na biologia calculam, todos devemos ter evoluído dos peixes, numa fase mais primitiva da existência de vida, talvez alguns humanos tenham herdado este gene com a memória de três segundos gravado. Se esta minha teoria for válida, sou, com certeza, um desses Homo sapiens sapiens contemplado com tal singularidade biológica.
Contudo, aquilo que era uma dádiva nos pequenos peixes de aquário, em mim constitui uma fonte de sofrimento e dor. Parece que me sinto vazio mal os teus dedos deixam de estar em contacto com os meus, quando deixo de te poder abraçar, ou pelo menos ver. É instantâneo. É uma memória de três segundos que se dissipa, e uma saudade infinita que cresce no meu coração de quatro cavidades, das quais os peixes não foram dotados, e talvez por isso não sintam saudade.
E agora, sinto a tua falta: faltam-me os teus braços num abraço eterno e puro; faltam-me os teus dedos entre os meus; falta-me a tua testa junto à minha; falta-me o teu olhar nos meus olhos, tão perfeito, tão único.
Ainda foi há poucas horas que me despedi de ti, e parece que não te vejo há semanas. Ou mesmo meses. É nestas alturas que gostava que a minha memória durasse mais que os simples três segundos. Ou melhor, que nunca tivesse de a esforçar para me lembrar dos nossos momentos, por nada lhes ser capaz de pôr fim, por serem eternos, infinitos.
3 comentários:
Isto não te afecta só a ti :) ♥
Lei da vida... por mais que te custe, terás de aprender a viver com isso :)
(Cheguei há dois minutos a casa e sinto-me como tu, meu irmão.)
mas luís, não te preocupes, tu tens memória de atum, ahah :)
gostei bazezo :b
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