segunda-feira, 11 de abril de 2011

game boy color,


Dei por mim a vasculhar a parte do meu cérebro que guarda a cadeado as memórias mais antigas, aquelas que devem ficar sempre presentes, mesmo se o esquecimento devastar tudo aquilo que deve ser lembrado. Aquela parte pura e singela dos contos de fadas, das histórias fantásticas e de todos os heróis que nos faziam vibrar o coração, mais que não fosse por nos fazerem viajar para sítios onde o imaginário se funde com a realidade.
Relembrei os bons bonecos animados que antigamente passavam na televisão e me prendiam a ela com força tal que nenhum adulto me conseguia arrancar do canapé que meu avô construiu pelas suas mãos, com duas caixas de plástico e esponja coberta por um forro azul às flores vermelhas, debruadas a amarelo-torrado. Com isto, lembrei-me do meu verde e simples GameBoy Color, que me entreteve por tão longas horas da minha infância, ainda que só dispusesse de um jogo para ele. Sentia saudades. Muitas mesmo. Ainda que não lhe tivesse dado importância durante tantos anos, senti necessidade de descobrir em que canto da casa o tinha guardado; queria voltar à simplicidade do A e do B do passado, que se foram transformando em bola, triângulo, quadrado e cruz.
Quando o encontrei, passei sensivelmente uma hora a brincar com ele, tal como outrora. Ao mesmo tempo, ouvia músicas de agora e sorria da mesma forma que uma criança já o fez, noutros tempos. Tinha voltado uns dez anos atrás no tempo, mas a música incessante não me permitia regressar na totalidade. Prendia-me ao presente, fazendo-me ver que o mundo mudou, a realidade é outra.
E com tudo isto, aprendi uma grande lição: o tempo não volta para trás, por muito que queiramos. Mas... quem disse que quero?

2 comentários:

Cardoso disse...

Eu tambem tenho um desses *.* xD
Passei tantas horas a jogar com ele... Bons tempos, tempos muito mais simples que agora... Bom post :P

Anónimo disse...

"À medida que crescemos, as nossas mentalidades mudam, os valores aprofundam-se e aprendemos a largar os ursinhos de peluche para dar lugar às pessoas, aos amigos, ao amor (...)" *-*