terça-feira, 29 de março de 2011

floresta amazónica;


Estamos em plena Floresta Amazónica, onde o clima é aquilo a que os meteorologistas classificam como tropical. Sendo que raramente para de chover, as espécies locais vivem numa angústia tão grande e tão profunda que o seu pranto se confunde com a precipitação incessante. Já as temperaturas, essas não costumam descer dos dezoito graus Celsius quer estejamos no verão ou no inverno, sufocando de tal forma as folhas das espécies vegetais desta grande comunidade verde que, a certo ponto, deixam de conseguir absorver aquilo que necessitam para subsistir.
Isto para não falar dos solos, tão fracos em nutrientes que é necessário desenvolver raízes firmes e vastas para encontrar o mais pequeno sal que sirva durante o processo fotossintético; para além disso, é necessário desenvolver bons sensores nas extremidades dessas raízes, pois os menos bons podem não detectar o que realmente importa naquela imensa massa de terra. Mas atenção: não serve de muito que estas raízes sejam profundas (como muitas plantas de fraca coerência correm na tentação de ambicionar), como forma de tirar proveito de lugares onde mais nenhuma espécie consiga alcançar, visto que os poucos nutrientes que este solo ainda retém se encontram numa fina camada à superfície. Existe tanta biodiversidade nesta floresta que os sais não têm tempo para repousar no solo, de forma a entrarem na constituição das camadas mais inferiores de terra, já que são rapidamente absorvidos pelas inúmeras raízes que se localizam superficialmente.
Este tipo de climas, apesar de não o aparentar, é dos mais férteis do mundo. Com a chuva incessante, as temperaturas abrasadoras e os solos pobres, aprendemos a viver cada momento intensamente e a encontrar o equilíbrio num local onde o desequilíbrio é rei. Adaptamo-nos, cada um de sua forma, às dificuldades criadas por esta natureza rígida, aprendemos a ser autónomos, mas ao mesmo tempo dependentes de cada indivíduo nosso irmão. Estamos constantemente a aprender, e devemos contar com os ensinamentos sábios de quem apenas quer que nos desenvolvamos da forma mais perfeita que pode existir: felizes.
Sim, eu sou uma destas árvores. Uma de tantas plantas que aqui nasceram, cresceram e um dia hão de cair por terra para serem rapidamente absorvidas pela astúcia das outras.
E tu também, ao que me parece. Também tu aqui vives (à tua maneira, é certo) nesta mesma floresta exigente, padecendo de dores e angústias muito similares às minhas. Somos bastante parecidos até. Não se pode dizer que tenhamos crescido juntos, porque não o fizemos, mas mais importante que o tempo é o sentimento. E isso, minha pequena árvore, é indestrutível. Desenvolvemos raízes fortes e próximas, de tal forma que as minhas apenas se sentem bem quando se entrelaçam nas tuas, no mais puro sentimento de proteção fraterna e amizade eterna; e as minhas verdejantes folhas cordiformes, inexplicavelmente, absorvem melhor o teu dióxido de carbono do que o restante da atmosfera, produzindo mais glucose do que com o gás proveniente de fontes dispersas.
Talvez seja apenas impressão minha, mas as minhas raízes tornam-se incapazes de realizar o seu trabalho sem que as tuas as reconfortem por um bocadinho que seja. Talvez seja paranóia se disser que é o teu dióxido de carbono que ainda me faz pensar que o futuro pode ser melhor do que tudo que já passei. O que é facto é que nada seria igual sem ti, minha pequena árvore, a quem ouso chamar irmã. O que é facto é que cada momento passado junto a ti se torna único e essencial à minha sobrevivência.
O que é facto é que já não vivo sem ti.

4 comentários:

Joana Sofia disse...

epá reclamei com o titulo, mas está LINDO!
parabéns bazezo :)

Unknown disse...

Uma dica:
Deixa os manuais, os documentários e a Wikipedia e vai ver TV. FOX, Disney, AXN, algo assim.

Ricardo Matos disse...

muito bom mesmo

Maria João disse...

ADOREI! :')