Assim, decidi dar vida nova ao aparelho, eliminando tudo aquilo que vivi ao longo de quatro mil e duzentas peças de um puzzle de três meses. Cada uma destas peças, indispensável para a globalidade do conjunto e insignificante na sua individualidade, contribuiu para uma emoção diferente em mim: ora uma risada, ora um sorriso, ora um franzir de sobrancelhas, ora um olhar triste, ora uma lágrima no canto do olho, ora um mar de lágrimas que inunda tudo e todos os que me rodeiam. Tudo isto se foi; tudo isto se desvaneceu na sua individualidade. Mas o que importa reter é a ideia de conjunto; e a ideia de conjunto é aquilo que sou hoje, aquilo que sinto hoje, aquilo que efetivamente ganhei pelas vivências.
Sim, é verdade. Custou-me muito pressionar o botão "Apagar", é um facto. Muitas boas recordações ficaram sem registo material, apenas no coração. Mas outras, não tão boas, desvaneceram de tal forma que arrisco dizer que desapareceram por completo. Também é facto que, se antes de pressionar tal tecla estava receoso por o fazer, quando o fiz senti uma imensa alegria no coração e até arrisco dizer que dormi melhor por isso.
Afinal, aquilo que foi bom e se deve reter destas quatro mil e duzentas mensagens, ser-me-á relembrado nas próximas quatro mil e duzentas. Aquilo que, por outro lado, não é digno de memória (e falo concretamente de algumas que me deixaram feliz no momento em que as recebi, mas que, no final, se revelaram falsas e mentirosas) morreu ontem. E morreu mesmo. A essas pessoas (se estás a ler isto, sabes a quem me refiro, não entrarei em pormenores de baixo nível) resta-me apenas o esquecimento; resta-me apenas pensar como fui idiota ao ponto de guardar essas recordações por tanto tempo, ao ponto de contribuírem para o mau funcionamento daquilo que efetivamente me traz um sorriso que se me estampa na face.
Afinal, tenho sempre quem me ajude a encher esta caixa de entrada, mas que o faça de forma tal que nunca mais precise de a esvaziar por me estar a dar problemas. A todas essas pessoas, um muito obrigado.
3 comentários:
Ahh, este obrigado não é para mim! a minha presença nessas "quatro mil e duzentas peças de um puzzle" é muito tímida! Se tinhas 2/3 já era muito! muda para 91! eu com o 96 não me oriento a mandar sms's!
Ahh, este obrigado não é para mim! a minha presença nessas "quatro mil e duzentas peças de um puzzle" é muito tímida! Se tinhas 2/3 já era muito! muda para 91! eu com o 96 não me oriento a mandar sms's!
Ain, gostei mesmo muito! :o
Como te contei, também fiz o mesmo ao meu 91 recentemente, apaguei tudo o que antes fora bom, mas que se revelou falso e mentiroso, como tu dizes.
Acho impressionante, como num ano, nos tornámos o que hoje somos, e ainda bem que sou uma das pessoas que te enche a caixa de entrada :D
Partilhamos situações idênticas, em meios diferentes, mas que no fundo vai dar tudo ao mesmo: desilusões. É mentira? :b
Mas são fases, e temos que sorrir e dar graças por tudo o que temos de bom e pensar que isto é apenas uma lição, e que um dia isto irá servir-nos de algo; não nos mata, apenas torna-nos mais fortes :)
Irmão, sempre contigo :') <3
Enviar um comentário